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Gastronomia

Sabores da Índia no prato, com sotaque sul-mato-grossense

Prato do restaurante do Taj Hotel, finalizado e servido à mesa
Equipe do Restaurante Cozinha

Existe um mal-entendido persistente sobre comida indiana no Brasil: a ideia de que ela é, antes de tudo, ardida. Pimenta está lá, sim, mas é um instrumento entre muitos — e raramente o solista. O que define a cozinha indiana é outra coisa: a construção de camadas de tempero, montadas em ordem, cada uma entrando no momento em que a anterior já entregou o que tinha para entregar.

É isso que tentamos fazer aqui, com um detalhe que muda tudo: os ingredientes são os que existem em Mato Grosso do Sul.

Tempero é técnica, não quantidade

A diferença entre um prato temperado e um prato apenas forte está quase sempre no tempo.

Especiarias inteiras tostadas em gordura quente liberam aroma e perdem a aspereza. Moídas antes da hora, oxidam e ficam amargas. Adicionadas tarde demais, ficam cruas e brigam entre si em vez de se somarem. Uma base bem-feita — cebola, gengibre, alho, as especiarias na sequência certa — leva tempo e não tem atalho, e é ela que sustenta o prato inteiro depois.

Quem come percebe o resultado sem precisar identificar o processo: o prato tem profundidade, não apenas intensidade. Dá para sentir onde uma coisa termina e a outra começa.

O ingrediente é daqui

Harmonizar a culinária indiana com as tradições locais, que é a nossa proposta, significa algo bem concreto na prática: a técnica atravessa o oceano, o ingrediente não.

O que isso muda no cardápio

Trabalhamos com o peixe de água doce da região, com as carnes que os produtores daqui entregam bem, com as frutas que amadurecem na estação em que estamos. Um molho pensado para acompanhar um ingrediente indiano específico é refeito até funcionar com o que existe no mercado de Três Lagoas — e às vezes ele fica melhor, porque o ingrediente está no auge em vez de ter viajado.

O que isso não significa

Não significa suavizar tudo até o prato virar uma versão neutra de si mesmo. Um prato que perde a identidade para agradar todo mundo não agrada ninguém em particular. A régua é: um cliente indiano deveria reconhecer o que está comendo, e um cliente de Três Lagoas deveria reconhecer o ingrediente.

Como pedir, se for a sua primeira vez

Três sugestões práticas.

Peça a intensidade que você quer. O nível de pimenta é ajustável em boa parte do cardápio, e ajustar não é descaracterizar. Ninguém precisa provar nada à cozinha.

Divida. A comida indiana foi pensada para mesa compartilhada, com pratos que conversam entre si. Dois ou três no centro rendem uma refeição muito mais interessante do que um prato individual por pessoa.

Deixe o pão para o fim do molho. Não é acompanhamento. É utensílio.

Uma nota sobre restrições

Vegetarianos costumam ser bem servidos pela cozinha indiana — boa parte do repertório clássico é vegetariana por origem, não por adaptação. Restrições mais específicas valem ser avisadas na reserva e não na hora do pedido: com aviso, a cozinha reorganiza; sem aviso, ela improvisa, e improviso raramente é a melhor versão de um prato.

Os detalhes do salão e do funcionamento estão na página do restaurante. Para quem vem de fora e quer jantar sem se preocupar com a volta, vale ver as acomodações na mesma reserva.

Conteúdo informativo. Disponibilidade, cardápios e tarifas são confirmados no momento da reserva.

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